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O deus da carnificina

O deus da carnificina
Aud. dos Oceanos Casino Lisboa | 29 Nov a 30 Dez

De Yasmina Reza | Encenação Diogo Infante

Uma comédia de costumes… sem os bons costumes!

Dois casais, adultos e aparentemente civilizados, encontram-se para resolver um incidente protagonizado pelos seus filhos menores. O que é verdadeiramente sedutor neste confronto é a progressão paradoxal do encontro dos casais. Há uma certa sofisticação na forma como o encontro decorre e na tentativa de apurar responsabilidades na luta física que ocorreu entre os respectivos filhos, dois jovens de 11 anos.
O que acontece na realidade é a queda progressiva das máscaras a que nos obrigamos no acto social e um estalar do verniz, que deixa a nu a natureza violenta dos relacionamentos humanos. As conversas entre os quatro são constantemente interrompidas pelo telemóvel de Alberto, advogado de uma multinacional farmacêutica, acusada de vender medicamentos para cardíacos que produz efeitos colaterais. A sua mulher, Bernardete, é uma mulher com ambições socias e com uma curta tolerância ao álcool. Verónica é uma dona de casa, vagamente interessada em arte africana e o seu marido, Miguel, é um vendedor de eletrodomésticos. Nada é claro ou linear. Ninguém é normal. As primeiras impressões vão-se contradizendo, negando-se, alterando-se em contacto com as outras. Pouco a pouco, somos levados para o núcleo da nossa natureza primordial, selvagem e violenta. Todos são capazes de pensamentos politicamente corretos, mas também se mostram capazes de usar golpes baixos e letais, quando se trata de defender o interesse próprio ou dos filhos.
O tema da peça é, necessariamente, a Hipocrisia, ou se preferirmos, a dupla moral e de como perspetivas éticas se mostram flexíveis para defenderem certos interesses. O que é curioso é que toda esta dimensão ética e politica é colocada neste texto em termos profundamente cómicos. Deus da Carnificina é por isso uma comédia, mesmo que o riso tenha como fronteira a dor que sempre sentimos, quando constatamos a nossa fragilidade humana.

Texto Yasmina Reza (Le Dieu do Carnage) | Tradução, versão e encenação Diogo Infante | Com Diogo Infante, Rita Salema, Patrícia Tavares e Pedro Laginha | Cenografia e adereços Catarina Amaro | Desenho de luz Tânia Neto | Espaço sonoro Rui Rebelo | Assistência de encenação Isabel Rosa | Operação de luz e som Pedro Santos | Produção executiva Ana Santana | Direção de produção Ana Rangel e Miguel Dias (Plano6) e Teatro da Trindade INATEL

 

Auditório dos Oceanos Casino Lisboa
29 de novembro a 30 de dezembro

6ª e Sábados 21h30 | Domingos 17h
Preço: 18€
M12
 

"O Deus da Carnificina é uma tragédia cómica ou uma comédia trágica se preferirem, onde a natureza humana e toda a sua evolução social, intelectual e psicológica se desmorona quando impulsos primários e básicos são despoletados por uma discussão parental. Nada nos tira do sério ou potencia o nosso lado animalesco e protetor, como uma investida contra os nossos filhos. Este espetáculo constitui uma oportunidade para explorar vários registos de comédia negra onde o sarcasmo, a ironia e o cinismo, são instrumentos a que o texto recorre e que os atores naturalmente integram no jogo e que, no combate que se adivinha, provocam risos. Alguns são risos nervosos, descontrolados por vezes, como quem assiste a um funeral e se ri perante uma situação trágica, mas que aos nossos olhos resulta, involuntariamente, caricata, ridícula até. Quando olhamos ao espelho, por vezes o nosso reflexo é adulterado pelo nosso cérebro, de modo a que a perceção dos nossos receios mais profundos seja suavizada, como que nos preparando para uma realidade não desejada. O Deus da Carnificina tem esse mesmo efeito em nós. No fundo desejamos não ser nenhuma das personagens aqui retratadas, mas não nos conseguimos impedir de identificar determinados comportamentos, que embora condenemos nos são demasiadamente familiares.", Diogo Infante

Yasmina Reza
O mundo teatral comemorou quando a autora Yasmina Reza, uma argelina radicada em França, explodiu nos anos 90 com a peça Arte, sucesso em diversos países, incluindo em Portugal. Desde então ela não parou. Escreveu várias peças de teatro, comédias e romances, todas muito bem sucedidas, tornando-se numa celebridade no universo intelectual europeu. O Deus da Carnificina é mais um exemplo do seu sucesso. A peça escrita para quatro atores talentosos e empáticos, arrecadou diversos prémios pelo mundo inteiro – O Prémio “Laurence Olivier”, na categoria “Best New Comedy” na sua montagem em língua inglesa, realizada em Londres, em 2008, e o Prémio “Tony Awards” nas categorias Melhor Peça, Melhor Encenação e Melhor Atriz, na Broadway, são disso bons exemplos. Numa época em que o mundo artístico clama por “invenções teatrais”, O Deus da Carnificina mantém o sopro de renovação que a autora Yasmina Reza imprimiu à dramaturgia europeia nos anos 90, utilizando, mais uma vez, com uma grande maestria, a vertente humorística.

SESSÃO ESPECIAL DIA 29 NOVEMBRO - HOMENAGEM AO ACTOR ANTÓNIO CORDEIRO
A equipa do espectáculo "O Deus da Carnificina" decidiu realizar esta sessão de homenagem ao actor António Cordeiro, porque é nos momentos de maior fragilidade que a amizade e o reconhecimento fazem a diferença. A receita reverterá a favor do António e da sua luta.